É uma visão incrível, a travessia do Gilbratar. Uma daquelas coisas que a gente imagina como é, mas só estando lá pra comprovar.
Chegamos à África num aeroporto no meio do nada! Tanger é uma cidade surpreendente e uma boa porta de entrada para o Marrocos.
"Mas Tanger??? Você não ia pra Casablanca?"
Pois é, rapaz... não é que a gente já começou a aventura perdendo avião?
Os putos da easyJet, por uma questão de exatamente 3 minutos, quase puseram água no nosso chopp. A gente fez uma confusão com os horários, pq eram todos quebrados e, só porque Alah existe, a ida ao Marrocos não foi adiada.
Havia um voo milagroso, 40 minutos depois, para Tanger.
Você conhece Tanger? Pesquisou ou reservou albergue? Faz alguma idéia de como funcionam as coisas por lá?
NÃO?
Nem eu...
E isso fez TODA a diferença, no fim das contas! A viagem foi muuuuito mais legal do que seria com o itinerário inicial (Casablanca - Marrakech - Rabat - Casablanca).
nota do autor: Casablanca é um saco, uma cidade enorme e mega ocidentalizada. Perda de tempo, se o objetivo é visitar a cultura marroquina. Quem acha que vai encontrar os cenários do clássico da sétima arte, esqueça.
Acabamos fazendo um roteiro totalmente diferente (Tanger - Fès - Casablanca). Tudo bem, conhecer Rabat tinha um significado especial pra mim e pro papai (piada interna), mas é bom que fica pra próxima.
Em Tanger, ficamos num hostel (hostel Califóóóórnia!) baratinho, de acomodações simples, mas fomos muito bem recebidos. O Seu Mohammed era muito gente boa e estava sempre disposto a ajudar. Inclusive nos apresentou ao Rashid, que, de fato, foi um anfitrião. Levou a gente pra caminhar pela cidade, mostrou um monte de lugares legais, explicando sempre como funcionavam as coisas por lá e, quando fomos almoçar, não nos deixou pagar a conta. (Camarão, risoto, frango, batatas fritas, azeionas, pão árabe, uma bóia de prima!)
Ele é da fronteira com a Argélia, da cidade de Oujda. Trabalha com transportes frigoríficos de caminhão, do Marrocos até a Holanda, e sempre se hospeda no Califórnia quando tá de folga. Nos levou à estação de ônibus para comprarmos o bilhete para Fès e depois partiu pra Oujda, pra ver os pais e a família. Vai ficar na memória!
Álcool no Marrocos é artigo de luxo. Como o islamismo proíbe o consumo, tomar um choppinho é praticamente uma missão. Mas nós conseguimos!
Depois de uma boa noite de sono, a viagem Tanger - Fès foi muito legal pq pudemos viajar durante quase 8 horas pelo Marrocos. Cada paisagem linda! Muitas lembravam o Brasil.
À exceção das estradas que levam a Casablanca, as rodovias marroquinas são bem precárias. Na parada para o almoço, matamos um sanduba de cafta delicioso!
No álbum de fotos vcs podem dar uma conferida no lugar onde a gente se meteu pra comer, experiência antropológica!
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O mercado de Fès é um capítulo à parte. Dentro da antiga Medina, são ruelas e becos infinitos, onde se vende de tudo. Mas quem pensa que o Marrocos é um paraíso do consumismo engana-se. Basicamente, os caras cotam tudo a Euro e o máximo de economia real que se faz é na pechincha mesmo.
Depois da jornada por Fès, chegava a hora de dar 'Salama' a este país incrível e ir pra casa. Casablanca.
Como a viagem Tanger-Fès, que tava prevista pra 6 horas, havia durado 8, mantivemos a expectativa e compramos as passagens de bus pra Casa para 1:30 AM. Ledo engano... fizemos a trajeto nas 5 horas prometidas e chegamos lá ainda sem luz no céu e sem lugar pra ficar. Resumo da história: chá de cadeira daqueles.
Lá pelas 9h, deixamos o saguão da rodoviária e fomos caçar o que comer e como chegar ao aeroporto. Como eu já disse, Casablanca é chato, hahaha, pelo menos se vc tá fazendo uma 'trip low cost'. Fomos pra estação de trem e, assim, terminamos nossa curta e intensa saga africana.
Agora se vc curte um pastelão, dá uma olhada no resumo audiovisual resumidíssimo.
O mundo é um só. E o Marrocos é muito 'roots'.


